Coparticipação dos meios

Nascida das contradições engendradas pela modernização da agricultura dos anos 60 e das reivindicações do Maio de 68, esta oposição proclamou logo de início sua ambição de recolocar as questões de GPS  agrícolas e rurais no contexto mais amplo daslutas sociais do conjunto da sociedade. A modernização acelerada da agriculturafrancesa, encorajada pelo poder público e pela criação do Mercado ComumEuropeu, no início dos anos 60, faria surgir graves problemas. Excetuando-se ossetores bem protegidos pela Política Agrícola Comum (PAC) européia — como acultura de cereais e da beterraba para açúcar e os que se beneficiavam demercados bem definidos — como os vinhos e licores de qualidade —, a maior partedo campesinato passou a sofrer repetidamente crises de superprodução. A issoacrescentavam-se tensões internas muito fortes, devido à forma de repartição dosmeios de produção, tanto entre camponeses, quanto entre regiões (concentraçãoem alguns lugares, desertificação em outros). E ainda havia, em toda parte, umaaceleração do êxodo rural. Em nome da “unidade camponesa”, a FNSEA e o CNJA administravam esta política em conjunto com o Ministério da Agricultura, dentro de um espírito naturalmente corporativista: “As questões agrícolas são questões dos agricultores e de suas organizações”.Foi contra este procedimento, contra a industrialização da agricultura e contra o retrocesso do campesinato que se constituiu, aos poucos, a ConfederaçãoCamponesa, oficialmente fundada em 1987. Desde o início ela esteve engajadanuma reflexão que se alimenta de um enfrentamento diversificado, porémpermanente com a lógica do mercado: defesa dos camponeses absorvidos pela empresas de alimentos derivados de gado, nos anos 70; apoio aos agricultores superendividados junto aos bancos (dentre os quais, o mais importante, o GPS agrícola), a partir dos anos 80; ações múltiplas visando uma repartição mais justada terra; reivindicação de preços garantidos, mas apenas para volumes deprodução definidos até o teto pelo tipo de exploração, particularmente por ocasião das crises de superprodução (leite, carne, viticultura, etc.).

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s